[kads group="topo-1"]


Amor-conhecimento

Toda concepção religiosa espiritualista visa expressar uma lógica espiritual de comportamento contrária à lógica materialista. Daí o grande sentido da afirmação de Cristo: “Não se pode servir a Deus e a Mamon”. Cada uma dessas concepções difere na forma através da qual manifestam seus entendimentos e na forma de transmiti-los. No Espiritismo esta lógica espiritual não é transmitida por revelação a pessoas diferenciadas e tampouco transmitida através de dogmas ou saberes sagrados. Ao contrário, está ao alcance de cada um, sendo construída pelo conhecimento na reunião de ciência, filosofia e religião.

Cada indivíduo é apto para ler o seu contexto e mediante o conhecimento que acumulou derivar o melhor comportamento para a situação dada. A grande questão é que muitas vezes o conhecimento alcançado por certo indivíduo pode ser contrário aos seus desejos e expectativas biológicas e sociais. Neste sentido é que o amor emerge como poder iluminador que promove uma renúncia voluntária, proporcionando que o indivíduo renuncie aos interesses materiais em favor dos princípios que alcançou pelo conhecimento. Caso não aprenda pelo amor irá aprender pela dor. Como exemplo, vejamos uma pessoa que alcançou a importância de manter-se encarnado o máximo de tempo possível a fim de melhor aproveitar seu aprendizado. Mantém hábitos saudáveis renunciando alguns alimentos no objetivo de permanecer mais tempo encarnado qualitativamente e quantitativamente. Essa é uma conduta de amor, pois a pessoa renunciou voluntariamente certas coisas em prol daquelas que considerava como corretas. Já o indivíduo que cede a quaisquer desejos corre o risco de ter de abandonar hábitos pela dor. Como é o caso daquele que se alimenta de maneira inadequada e só nos primeiros sinais de doença abandona esta conduta. O aprendizado foi pela dor, por coerção e não pela efetivação do conhecimento.

Se o amor é saber renunciar é necessário também que se saiba como, o que e qual a ocasião de renunciar. A renúncia deve ser sempre argumentada e justificada de forma crítica e racional. Um bom critério é, diante de cada situação, avaliar a ação a ser tomada mediante as intenções, os meios e os fins. Adequando harmonicamente os três se pode derivar uma boa conduta. Por isso é imprescindível tratar do amor na sua relação fundamental com o conhecimento.

Compartilhe:

Sobre o Autor

Guilherme Knopak

Guilherme KnopakSociólogo e Bacharel em Teologia Espírita, formado pela Faculdade Doutor Leocádio José Correia (FALEC), onde atua como professor.

Todos os Posts de: Guilherme Knopak